
A participação das mulheres na construção civil brasileira começa a ganhar uma nova dimensão, impulsionada por ações estruturadas de qualificação profissional e geração de emprego. Um dos principais exemplos desse avanço é o projeto Elas Constroem, coordenado pela Comissão de Responsabilidade Social (CRS) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que vem articulando lideranças do setor para ampliar o acesso feminino a oportunidades em um mercado historicamente marcado pela baixa representatividade das mulheres.
Em 2025, a iniciativa deu um passo importante com a realização de um projeto piloto em parceria com o Departamento Nacional do SENAI. A proposta teve como foco a formação profissional e a promoção da autonomia financeira de mulheres interessadas em ingressar no setor da construção civil, ao mesmo tempo em que respondeu a um desafio estratégico enfrentado pelo setor: a crescente escassez de mão de obra qualificada.
O projeto contou com a adesão de dez entidades associadas da CBIC em nove estados brasileiros — São Paulo, Sergipe, Roraima, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Bahia e Amazonas — e resultou na formação de mais de 200 alunas. Além da certificação, as participantes participaram de cerimônias de formatura e tiveram acesso ao encaminhamento para vagas no setor, fortalecendo a conexão entre qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho. Em Sergipe, a ação contou com o apoio da ASEOPP (Associação Sergipana dos Empresários de Obras Públicas e Privadas), reforçando o compromisso local com a inclusão e o desenvolvimento social.
Diante dos resultados positivos e da visibilidade alcançada, a parceria com o SENAI Nacional foi renovada e ampliada. Para o próximo ciclo, a expectativa é dobrar o alcance do projeto, com a entrada de novas entidades associadas e o envolvimento de mais lideranças femininas responsáveis pela execução das ações nos estados.
Em 2026, o Elas Constroem seguirá a metodologia do SENAI “Aprendendo a Construir”, que inclui aula inaugural de acolhimento, orientações sobre rotina e comportamento em canteiros de obras, além de informações sobre direitos e benefícios trabalhistas. Outro diferencial será o acompanhamento contínuo das participantes pelas lideranças locais, com o objetivo de reduzir a evasão e estimular a permanência das alunas até a conclusão dos cursos.
Ao final do processo formativo, o projeto prevê ainda a realização de eventos de empregabilidade, promovendo o encontro entre empresas associadas e alunas, com foco na geração de contratações e oportunidades concretas de inserção profissional. A proposta central é que a qualificação venha acompanhada de inclusão efetiva, contribuindo para a diversificação da força de trabalho e para o fortalecimento sustentável da indústria da construção no Brasil.
Referência
Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)
https://cbic.org.br